Alimentos superpoderosos.

Além de matar a fome, alguns alimentos fornecem substâncias que ajudam a dar bastante força para a sua saúde.
Você já ouviu falar em Foshu? Essa palavrinha de origem japonesa significa Foods for Specified Use (Alimentos para Uso Específico, em português) e sintetiza o que há de mais importante em termos nutricionais nos dias de hoje. Ela surgiu no início da década de 90, no Japão, para definir um grupo de alimentos e ingredientes muito especial: os funcionais. A pesquisadora

Jocelem Mastrodi Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais (SBAF), diz que eles levam esse nome porque ultrapassam a função de nutrir. "Eles também ajudam a prevenir determinadas doenças", diz. Isso não quer dizer que esses alimentos substituam remédios.
"Esse é um equívoco comum. Mas é bom lembrar que os funcionais atuam no sentido da prevenção e não da cura", afirma. Esse conceito, que desembarcou no Brasil no fim da década de 90, foi desenvolvido a partir da constatação de que em todo o planeta a população está envelhecendo. E, por isso, precisam aproveitar os anos extras de um jeito saudável.

Rotina caprichada
Mas, afinal, o que esse grupo de alimentos tem que os outros não possuem? O principal são as substâncias antioxidantes, com poder de barrar a ação dos radicais livres - que oxidam as células e impedem a sua renovação. Isso faz com que ocorra uma redução da elasticidade celular, acelerando o processo de envelhecimento. Como conseqüência, surgem as doenças degenerativas. Há  ainda outros componentes como os polifenóis, encontrados nas sementes das uvas, e os fitosteróis, que ajudam a combater o colesterol, sem falar nas fibras e em alguns microorganismos, que estimulam o bom funcionamento do intestino. Esse arsenal de amigos da saúde pode ser encontrado em alimentos frescos e em alguns industrializados.

No entanto, não existem milagres: os alimentos funcionais não trabalham sozinhos. "Além de uma dieta equilibrada, é preciso investir em bons hábitos", diz Jocelem Salgado. "Praticar exercícios regularmente, não fumar, evitar gordura e ingerir álcool com moderação são alguns deles." Também não adianta caprichar no que vai ao prato hoje e só voltar a lembrar do assunto daqui há um mês. Ou seja, para tirar o que há de melhor dos funcionais, é necessário criar uma rotina alimentar diária e incluí-los no cardápio todos os dias. Pode ter certeza de que a tarefa não é difícil e só vai trazer benefícios para a sua saúde e até mesmo para a sua beleza, pois a qualidade do que você come reflete diretamente na sua aparência.

Pratos coloridos
Aqui você encontra os campeões da alimentação saudável, que ajudam no bom funcionamento do organismo e na prevenção de doenças. O segredo é comer de tudo um pouco. E, quanto mais colorido estiver seu prato, maiores as chances de obter uma refeição balanceada, com boa variedade de fontes nutricionais.

Alho
Associado ao combate à gripe, à redução do colesterol e ao controle da pressão arterial e das taxas de açúcar no sangue. Seu principal componente é a alicina, gerada naturalmente quando o alho é picado.
Quanto consumir: segundo a pesquisadora Jocelem Salgado, 1,5 grama de alho cozido em uma refeição ou o equivalente a um dente de alho por dia  é suficiente. Produtos à base do tempero não são tão benéficos.

Brócolis
Ótima fonte de betacaroteno, fibras e vitamina C, também é um poderoso antioxidante. Além disso, ajuda a reduzir a incidência de câncer de cólon e de estômago e estimula o intestino.
Quanto consumir: o ideal é três porções semanais. Para manter os nutrientes, recomenda-se o cozimento no vapor ou a ingestão do alimento cru ou congelado.

Chá verde
Considerada a bebida da hora, é ideal para quem tem hipertensão e vive brigando com as altas taxas de colesterol, além de combater os radicais livres.
Quanto consumir: o indicado é beber pelo menos quatro xícaras por dia.

Soja
Abundante em isoflavonas, o consumo frequente da soja está associado à redução dos níveis de gordura no sangue. 
Quanto consumir: "Uma colher de sopa diariamente, o equivalente a 25 gramas de proteína de soja, são mais do que suficientes para ajudar a diminuir as taxas de colesterol", recomenda a nutricionista Elizabeth Vargas, da Unilever.

Tomate
Assim como em seus derivados - ketchup, molho, pasta e suco -, o licopeno encontrado nesse alimento protege o coração, combate os radicais livres e estimula o sistema imunológico, além de estar associado à redução do câncer de próstata e de outros tipos ligados ao aparelho digestivo. O melhor jeito de consumi-lo é na forma de molhos, caseiros ou comprados prontos, pois o aquecimento faz com que a concentração de licopeno aumente.
Quanto consumir: duas colheres de sopa de molho ou meia unidade diariamente.

Salmão
"O grande trunfo desse peixe, da sardinha, da truta e do bacalhau é o ômega 3", diz a nutricionista Tânia Rodrigues, da RG Consultoria Nutricional, de São Paulo. Essa substância, que age sobre os níveis de triglicérides - gorduras existentes no sangue -, baixa os níveis do mau colesterol (LDL), regula a pressão sangüínea e o ritmo cardíaco, reduz a incidência de aterosclerose e previne as doenças cardiovasculares e a depressão, entre outras.
Quanto consumir: inclua no cardápio pelo menos duas vezes por semana, mas evite o cozimento excessivo, pois diminui a quantidade de ômega 3.


 


Fonte: Carla Leirner