Infelizmente, a pessoa com esse problema será, quase que
em 100% dos casos, o centro das atenções, alvo de piadas
entre amigos e familiares. É claro que muitos podem crescer
e conviver muito bem com isso. Outros, porém, ficam traumatizados
e com uma preocupação extrema em relação à sua forma e tamanho.
O resultado é a inconsciente exclusão do
convívio social, baixa auto-estima e timidez. Os adultos,
geralmente, têm um desconforto estético que impede de variar
cortes de cabelo e o penteado - as mulheres fogem até mesmo
de um simples rabo-de-cavalo e a saída mais comum para esconder
as orelhas são as faixas e lenços.
O recomendado pelos especialistas é que
a otoplastia seja realizada o quanto antes para impedir
que a criança seja alvo de zombarias e acarrete problemas
psicológicos. Mas a verdade é que não tem idade para sentir-se
bem. Pare de se esconder e anime-se. Saiba mais sobre a
otoplastia e veja como resolver o seu problema.
10 dúvidas sobre otoplastia
1 - O que é a otoplastia?
Esse é o nome técnico da cirurgia da orelha. "Serve
para corrigir diversas alterações anatômicas das orelhas,
melhorar a forma e diminuir sua proeminência, colocando-as
em uma posição mais harmônica em relação às proporções faciais",
explica o cirurgião plástico Fabrício Torres (SP).
2 - Qual é a indicação da técnica?
A otoplastia é realizada se a orelha não está nos padrões
costumeiros e é mal formada. Isso significa orelhas de abano,
ou seja, muito projetadas e abertas, e também aquelas que
não têm as curvas internas. De acordo com o cirurgião plástico
Bernardo Melman, da Clínica Downton (RJ), essas deformidades
podem ser genéticas, devido a algum tumor ou acidente. Nas
crianças, o mal pode atrapalhar o desenvolvimento da personalidade.
Nos adultos, pode comprometer o desempenho no trabalho e
dificultar a ascensão profissional. Por isso, a indicação
da cirurgia está intimamente ligada à baixa auto-estima.
3 - Qual é a contra-indicação?
Não há. Apenas a orientação de ser realizada após os sete
anos de idade.
4 - Quais são os procedimentos
pré-operatórios?
É necessário fazer os exames de rotina, como sangue, coagulação,
eletrocardiograma, fezes, urina e raio-x do tórax. Durante
a consulta, o médico irá perguntar (e você deve responder
com sinceridade absoluta) sobre o uso de medicamentos, drogas,
cigarro e bebida alcoólica. "Você precisa lavar o cabelo
na véspera da cirurgia e, se o procedimento for realizado
sob anestesia geral, fazer jejum de oito a doze horas",
esclarece o cirurgião plástico Luis Henrique Bussinger (RJ).
5 - Como é realizada a cirurgia?
Sob anestesia local ou geral, é feita uma incisão atrás
da orelha (no sulco entre ela e a cabeça) cerca de 3 a 4
cm. Em seguida, é feito o descolamento e rotação da concha
auricular, fixando-a por pontos mais próximos da cabeça.
Como se trata de uma região de pele muito fina, a cicatriz
tende a ficar quase imperceptível. É utilizado um fio absorvível,
que dispensa a retirada dos pontos no pós-operatório. A
cirurgia dura em torno de uma hora e meia para os dois lados.
6 - Como é o pós-operatório?
O cirurgião prescreve analgésicos e antibióticos nos primeiros
dias e higiene local. A paciente precisa manter as orelhas
secas e tomar cuidado com traumas locais no primeiro mês.
O curativo nada mais é do que uma faixa (pode-se substituir
por lenços e faixas de cabelo para deixar o visual mais
moderno e disfarçar a cirurgia), que deve ser usada durante
um mês para manter a orelha na posição desejada. Durante
os cinco primeiros dias, lave o cabelo com água e sabão
neutro. A cicatriz fica protegida com curativos pequenos.
O retorno às atividades se dá após cinco dias da cirurgia.
7 - Como manter o resultado?
Após o primeiro mês, poucos cuidados são necessários. Entre
eles, ficar atenta a traumas locais e evitar sol, friagem
e vento por quatro meses. O acompanhamento médico deve ser
mensal durante três meses para que o cirurgião possa acompanhar
o processo de cicatrização.
8 - Em quanto tempo é possível
notar o resultado?
Ao terminar a operação, a paciente se olha no espelho e
percebe a correção obtida, mesmo com o inchaço. Assim que
se retira o curativo, já se tem 80% do efeito almejado.
Após seis semanas, o resultado será definitivo.
9 - Há necessidade de refazer a
cirurgia?
Se houver alguma complicação, é preciso, sim, refazer o
procedimento cirúrgico. Mas o resultado é definitivo na
maioria dos casos. É importante deixar claro que uma leve
assimetria sempre ficará, pois, mesmo as pessoas não operadas
e com orelhas normais, não apresentam simetria absoluta.
Entretanto, as estatísticas mostram que pode haver recidiva
do abano (parcial, geralmente) em 5% dos casos. As recidivas
são mais comuns nos adultos e nas pessoas com a cartilagem
inelástica (mais dura). Nestes casos, pode ser necessária
uma segunda intervenção.
10 - Quanto custa o procedimento?
A cirurgia custa de R$ 4 mil a R$ 6 mil e a faixa compressora
de R$ 50 a R$ 120.
Fonte: Terra |