O problema é que eles comem de forma alucinada,
desregrada, compulsiva, buscando uma sensação de preenchimento
e uma diminuição da angústia
Muitas vezes, as pacientes não sabem que têm o problema. Elas
explicam as várias horas de academia, dizendo que o exercício
faz bem à sua saúde, os laxantes tomados em grandes doses são
justificativas para o “intestino preso”, os episódios de comer
compulsivo são frutos da ansiedade.
“A paciente com bulimia não tem a magreza da paciente com anorexia,
não assume o transtorno alimentar, é geralmente extrovertida durante
as consultas, explica a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora
do Citen, Centro Integrado de Terapia Nutricional (SP).
A bulímica também freqüenta anos a fio os consultórios médicos,
tentando perder peso e aparenta tratar-se de ‘mais uma pessoa
ansiosa’ que tem dificuldade para perder peso.
“Somente quando se sente segura e amparada é que esta paciente
se abre. Cabe ao médico uma abordagem clínica direcionada para
a busca de possíveis transtornos alimentares. Caso contrário,
os casos de Bulimia Nervosa nunca serão diagnosticados",
acrescenta.
O aparecimento da doença dá-se, geralmente, na adolescência e
início da idade adulta. A bulimia nervosa caracteriza-se por episódios
de grande e rápida ingestão alimentar com sensação de ‘perda do
controle’, durante os acessos bulímicos.
Muitas vezes, o paciente come alimentos que ele nem aprecia e
come o que encontra pela frente. Come até a exaustão e a dor física.
Depois surge a culpa, a tristeza, a vergonha e a decepção por
não ter conseguido se conter.
“Estes episódios ocorrem várias vezes por semana e são geralmente
acompanhados por atitudes compensatórias para o controle de peso,
como o uso de medicamentos - diuréticos, laxantes e inibidores
de apetite – excesso de exercícios físicos, dietas drásticas,
longos períodos de jejum e vômitos induzidos”, diz a endocrinologista.
Nem todos os pacientes com bulimia nervosa induzem vômitos e aqueles
que o fazem dificilmente assumem o fato.
A paciente com bulimia nervosa muitas vezes tem sobrepeso e até
obesidade. Come de forma alucinada, desregrada, compulsiva, buscando
uma sensação de preenchimento e uma diminuição da angústia. “A
sua marca emocional é a falta do controle das próprias emoções.
Apesar disso se mostra festiva, alegre e sociável, mesmo estando
depressiva e ansiosa”, afirma a diretora do Citen.
As origens da Bulimia Nervosa
Ainda não conhecemos as causas da Bulimia. Sabemos que vários
fatores podem contribuir para esse comportamento alimentar aberrante.
Há componentes familiares e genéticos bem definidos, mas também
são reconhecidos fatores psicológicos e sociais.
"Estudos com gêmeos idênticos separados ao nascer, adotados
por famílias diferentes, e que vieram a desenvolver um distúrbio
alimentar, indicam a possibilidade de uma predisposição genética",
revela a endocrinologista.
A exposição de meninas susceptíveis aos transtornos alimentares
às “dietas da moda” está claramente relacionada ao desenvolvimento
de casos do comer patológico. Isso provavelmente se relaciona
ao fato dessas dietas apresentarem em comum grande restrição calórica,
monotonia de refeições e perdas de peso fantasiosas, a curto prazo.
“Todas essas características transformam essas dietas em preâmbulos
do jejum prolongado. E esse é o caminho mais curto para os episódios
compulsivos, os vômitos e as várias outras atitudes purgativas
que caracterizam a bulimia”, explica a médica.
Complicações da Bulimia Nervosa
Devido à grande ingestão de alimentos e aos episódios purgativos,
a bulimia pode dar origem à outras complicações de saúde, tais
como:
- Grande perda de massa muscular, que aumenta a tendência ao
ganho de peso, por serem os músculos os responsáveis por nossa
queima metabólica;
- Maior risco de colite, perda da motilidade intestinal normal
e sangramento intestinal, uma vez que o uso crônico dos laxantes
causa lesões irreversíveis ao sistema do intestino que controla
os seus movimentos;
- Alterações hormonais, como ovários policísticos, infertilidade
entre as meninas e desequilíbrio da produção de testosterona entre
os rapazes;
- Sinas de desnutrição por deficiência de vitaminas e minerais,
o que acarreta unhas fracas, queda de cabelos e alterações de
pele;
- Descontrole da tireóide: uma das causas do hipotireoidismo
é o uso descontrolado de remédios para perder peso;
- Automutilação com surtos de ansiedade e nervosismo;
- Maior incidência de infecção de garganta;
- Problemas gástricos: dor de estômago, esofagite, gastrite,
sangramento gastrintestinal;
- Corrosão e queda dos dentes por causa do ácido do estômago,
que durante os vômitos freqüentes entram em contato com partes
do corpo que não têm proteção contra ele (esôfago, faringe, traquéia,
mucosa bucal, dentes).
Tratando o problema
O tratamento da bulimia nervosa, assim como o de todos os transtornos
alimentares, envolve uma equipe multidisciplinar de atendimento
composta por médicos, nutricionistas e psicólogos ou psicanalistas.
A terapia cognitivo-comportamental, a psicoterapia e a psicanálise
podem ser utilizadas conjuntamente com a orientação nutricional.
Alguns medicamentos, principalmente, alguns antidepressivos e
sacietógenos podem ser aliados importantes do tratamento.
“Fundamental, também, é o papel da família como suporte no tratamento
desses pacientes, fornecendo apoio e compreensão, evitando atitudes
de julgamento e crítica”, diz a médica.
Cuide da sua saúde. Faça um tratamento estético corporal
na Fisioforma e ganhe acompanhamento nutricional. É só agendar
sua avaliação.